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Tesla Q4 2025: fim do Model S e X, futuro em AI

Por André Santos 2 min de leitura

A apresentação de resultados do Q4 2025 da Tesla foi além dos números habituais: Elon Musk anunciou o fim da produção do Model S e do Model X e deixou clara a direção estratégica da empresa para os próximos anos. A mensagem central é simples, a Tesla deixou de ser uma empresa de carros para se tornar uma plataforma de inteligência artificial.

O fim de uma era no segmento premium

A linha de produção de Fremont, que fabricava o Model S e o Model X, vai ser convertida numa fábrica de robôs Optimus ainda este trimestre. É uma decisão simbólica: estes foram os modelos que provaram ao mundo que um elétrico podia ser rápido e desejável. Mas os números explicam o abandono. Ao longo dos anos foram os que menos evoluíram tecnologicamente, sobretudo quando comparados com o Model 3 e o Model Y após as atualizações Highland e Juniper. No segmento premium em que competiam, a concorrência oferece regra geral mais equipamento, melhor qualidade de construção e maior insonorização, aspetos que o cliente deste nível valoriza muito.

Para quem pondera comprar um Model S ou X usado, a questão é pertinente: com o fim da produção, os preços no mercado de usados vão cair ainda mais, estabilizar, ou até valorizar por escassez? Os carros continuam a ser bons carros, isso não mudou.

Para onde vai a Tesla

A nova missão declarada pela Tesla chama-se “Amazing Abundance”: com IA, robótica e autonomia, a empresa aposta num mundo onde mobilidade e serviços deixam de ser escassos. Os números do trimestre sustentam este caminho, com margem bruta acima dos 20% e o negócio de energia a rondar os 13 mil milhões de dólares anuais.

O FSD conta já com 1,1M de clientes pagos e avança para modelo de subscrição. O robotáxi sem condutor (Cybercab) tem arranque previsto para abril. O Optimus caminha para produção em escala. A Tesla prevê ainda um investimento em capex superior a 20 mil milhões de dólares em fábricas, chips e IA, incluindo uma eventual megafábrica de chips nos EUA para reduzir dependência geopolítica.

O veredicto

A Tesla está a abdicar deliberadamente do passado para concentrar tudo num modelo de negócio baseado em software e autonomia. Faz sentido do ponto de vista empresarial e os resultados financeiros dão-lhe margem para isso. O que ainda não está claro é o ritmo a que o FSD supervisionado chegará a Portugal e se o Cybercab cumprirá os prazos anunciados.

No vídeo acima analiso cada um destes pontos com mais detalhe, incluindo as primeiras impressões dos test drives ao Model S e ao Model X que fiz anteriormente e o que a descontinuação significa na prática para quem pondera comprar um destes modelos no mercado de usados.

André Santos

Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.

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