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Audi Q8 e-tron Sportback: primeiras impressões de um fã de Tesla

Por André Santos 2 min de leitura

Tive a oportunidade de conduzir o Audi Q8 e-tron Sportback durante três dias, incluindo num comparativo com outros SUV elétricos do mesmo segmento. Quase 1000 km depois, há coisas que impressionaram genuinamente e outras que me fizeram dar valor ao que já tenho na garagem.

O que o e-tron faz bem

Com 2,5 toneladas e suspensão pneumática, o conforto de marcha é difícil de criticar. A insonorização a velocidades de autoestrada é boa, o espaço atrás é generoso (com 1,79 m ainda me sobra espaço ao teto) e a iluminação ambiente interior fica bem à noite. No comparativo em que participei, o e-tron foi o mais eficiente dos três carros presentes, à frente de um Porsche Macan e de um Polestar 3.

A estimativa de autonomia em quilómetros no painel é outro ponto forte: ao longo do desafio, os valores exibidos ficaram muito próximos da realidade, o que é mais útil do que andar a calcular percentagens.

O que deixa a desejar

Os espelhos retrovisores substituídos por câmaras são o ponto mais polémico. O design é diferente e pode ajudar ligeiramente na eficiência, mas embaciam com humidade, o ângulo de visão é limitado e é preciso treinar o olhar para não continuar a procurar o espelho onde ele não está. Sem uma resistência de desembaciamento eficaz, torna-se um problema real em dias frios ou húmidos.

Falta câmara frontal de série, num carro com 5 metros de comprimento onde seria muito útil. A percentagem de bateria não aparece no painel por defeito, o que para quem vem de um Tesla parece um passo atrás. Toda a interface, apesar de ter três ecrãs, mantém uma lógica muito próxima dos modelos a combustão: muitos botões físicos, métricas elétricas escondidas em menus, Android Auto a funcionar bem, mas a sensação geral é a de um carro de combustão disfarçado de elétrico.

A minha posição

O e-tron é para quem quer dar o salto para o elétrico sem abandonar a lógica e o conforto de um carro premium tradicional. Não é futurista, não desafia hábitos, e isso pode ser exatamente o que alguns compradores procuram. Comparado com o Polestar 3 e o Porsche Macan que testei no mesmo evento, cada um tem os seus pontos fortes, mas o Audi é claramente o mais conservador dos três.

Para mim, que conduzo um Model 3 todos os dias, a diferença na forma como cada marca pensa a componente elétrica é evidente. O e-tron não é mau, longe disso. Mas há uma distância grande entre “elétrico com alma de combustão” e “elétrico pensado de raiz como elétrico”.

No vídeo acima mostro o carro por dentro e por fora, os ecrãs, os espelhos-câmara em funcionamento e o resultado do comparativo com os outros dois SUV. Vê para teres uma ideia mais concreta do que descrevo aqui.

André Santos

Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.

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