Carregamento e Energia
Supercharger V4 Fátima: consegui os 250 kW?
Aproveitei o fim de semana de 15 de agosto para testar os novos Superchargers V4 de Fátima com o meu Model 3 All Wheel Drive Long Range de 2022. A pergunta era simples: consegue este carro atingir os 250 kW que a infraestrutura V4 promete? A resposta curta é não, mas há contexto importante.
O que os dados dizem
Cheguei com menos de 10% de bateria e o Supercharger definido como destino no GPS, para garantir o pré-condicionamento automático. Fiz dois carregamentos em Fátima. O pico da primeira sessão ficou nos 215 kW; na segunda, 220 kW. Cerca de 30 kW abaixo do máximo teórico.
A temperatura média do pack na primeira sessão era de 43 ºC no início. Na segunda, 47 ºC. As condições estavam próximas do ideal e os postos eram V4, por isso a limitação não parece ser da infraestrutura.
A explicação mais provável está na química das baterias. O meu Model 3 vem equipado com células LG, conhecidas por picos mais contidos em troca de maior consistência e longevidade. Os valores de referência que circulam na comunidade (250 kW) correspondem normalmente a baterias Panasonic, usadas em modelos fabricados nos EUA.
O pré-condicionamento tem margem para melhorar
O dado mais curioso desta sessão não foi o pico em Fátima, mas o que aconteceu no carregamento seguinte, em Montemor-o-Novo. Cheguei com a bateria perto dos 50% e o carro acionou o pré-condicionamento durante quase 9 minutos, elevando a temperatura do pack de 49 ºC para mais de 53 ºC antes de ligar ao carregador V2. Com bateria a meio e destino um V2, aquece sem sentido aparente e vai depois gastar energia a arrefecer.
A Tesla tem acesso a toda a informação necessária para evitar isto: estado de carga, temperatura atual, velocidade e disponibilidade do carregador de destino. Há claramente espaço para afinar este comportamento via software. Uma opção de pré-condicionamento manual, que outras marcas já oferecem, também faria sentido para quem quer mais controlo.
A minha posição
Os 215-220 kW são uma desilusão face ao limite teórico, mas a curva mantém-se acima dos 100 kW até cerca dos 50% de carga, o que na prática significa paragens curtas em viagem. Penso que a Tesla poderia melhorar a curva com atualizações de software, mas entendo a prudência: a durabilidade da bateria a longo prazo pesa mais do que uns kW extra no pico.
No vídeo acima analiso frame a frame as três curvas de carregamento sobrepostas no Grafana, mostro os dados do TeslaMate e do Scan My Tesla em tempo real, incluindo as temperaturas exatas em cada momento. Vê se queres perceber o pormenor completo.
Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.