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Tesla na Serra da Estrela: consumos reais no frio e na neve

Por André Santos 2 min de leitura

Levar um Tesla à Serra da Estrela no inverno é o teste de bateria que ninguém pede mas toda a gente devia fazer. Fui com o meu Model 3 Long Range de 2022 (93.000 km no conta-quilómetros) de Aveiro até perto da Torre, com frio, neve e um trânsito que acabou por ditar a rota.

Os números da subida

Saí de Aveiro com 100% de carga (526 km de autonomia estimada, contra os 575 km quando o carro era novo). O navegador projetava chegar à Torre com 53% e regressar a Aveiro com 33%.

Na prática: percorri 159,5 km até parar perto do topo, consumi 35,2 kWh a 220,8 Wh/km e cheguei com 47% de carga. Um pouco abaixo da estimativa, mas havia umas voltas extra em Aveiro que terão contribuído com 2-3%. A subida combinada com temperaturas baixas faz exatamente o que seria de esperar nos consumos.

O trânsito na serra estava caótico. Depois de 2h15 ao volante, com fila interminável para chegar à Torre, a decisão foi simples: Dar meia volta!

A descida e o regresso

Aqui está a parte interessante. Desci com 46% e cheguei a Seia com 51%, ou seja, 5% recuperados pela travagem regenerativa. As temperaturas das células rondavam os 25°C na descida, o que limitou a regeneração máxima (o TeslaMate mostrava o traço interrompido). A partir dos 30-32°C essa limitação desaparece e a regeneração flui sem restrições.

No total do dia: 307 km, 44,8 kWh consumidos, média de 145 Wh/km. Um resultado razoável para um dia de inverno com subida de montanha incluída.

Houve ainda um comportamento estranho perto de Nelas: o carro começou a pré-condicionar a bateria e a sugerir uma rota alternativa pela Mealhada para carregar, apesar de haver bateria mais do que suficiente para Aveiro. Cancelei a rota e recriei o destino, e o problema desapareceu. Não encontrei explicação para isso.

O veredicto

O Model 3 Long Range comportou-se bem nas condições de inverno na serra. Os 220 Wh/km na subida são o preço a pagar pela altitude e pelo frio, mas a regeneração na descida devolve uma parte razoável. Com o planeamento certo, a viagem Aveiro-Serra da Estrela-Aveiro é perfeitamente confortável sem carregar pelo caminho.

O que não consegui capturar foi a descida completa da Torre a Seia, porque o TeslaMate perdeu rede na montanha e não registou esses dados. No vídeo acima mostro todos os gráficos disponíveis do TeslaMate e explico o comportamento da bateria em detalhe, incluindo as temperaturas das células ao longo da viagem.

André Santos

Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.

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