Roadtrips
Road trip Espanha: chegar a Segóvia com 2% de bateria
Terceiro dia da road trip a Espanha, e o mais tenso até agora. A viagem de Burgos até Segóvia começou com uma divergência entre a app Tesla e o navegador do carro, acabou com uma chegada ao Supercharger de Aranda de Duero com 2% de bateria, e ensinou uma lição que vale a pena registar.
A app disse 13%, o carro disse 7%
Na véspera, a simulação feita na app Tesla apontava para uma chegada ao Supercharger com 13% de carga. Confortável. Mas ao inserir o mesmo destino no navegador do carro, a previsão caiu para 7%. O Tesla foi mais longe: sugeriu uma paragem logo à saída de Burgos, no mesmo Supercharger do dia anterior, para reforçar a carga.
O carro estava a jogar pelo seguro, com razão. A bateria estava a 14ºC, longe da temperatura ideal de operação, e o pré-condicionamento ainda nem tinha começado. Mesmo assim, a tentação de não parar logo no início da viagem ganhou, e a rota foi refeita com destino direto a Aranda de Duero, com previsão de chegada a 0%.
Nos primeiros quilómetros, a velocidade ficou entre os 100 e os 110 km/h enquanto a bateria aquecia. A previsão foi subindo devagar: 1%, 2%, 3%. Com mais margem, o ritmo subiu até aos 120 km/h de GPS. Chegou-se ao Supercharger com 2%.
Supercharger de Aranda de Duero: 49 minutos, 29,15 €
Dado o arranque da manhã, o limite de carga subiu de 80% para 90%, como medida de precaução para o resto do dia. A sessão foi dos 2% aos 90%, demorou 49 minutos, consumiu 67,8 kWh a uma potência média de 80 kW, e custou 29,15 € (0,43 €/kWh). O pico de 206 kW aconteceu cedo, ainda nos 5% de carga, depois foi sempre a descer, com uma quebra mais acentuada a partir dos 70%.
O Supercharger tem 12 stalls V4 até 250 kW, fica num local bem servido (café, restaurante, hotel, posto de combustível) e tem ainda uma estação Zunder ao lado. Classificação: 4 em 5 estrelas.
De Aranda de Duero a Segóvia, já pela Nacional 110 a 90 km/h, o consumo médio ficou nos 192 Wh/km. Chegada a Segóvia com 55%, 4% abaixo da previsão.
A minha posição
A divergência entre a app e o navegador do carro não é um erro: são algoritmos diferentes. A app usa uma simulação simplificada; o carro considera temperatura da bateria, pré-condicionamento, elevação real, meteorologia e o histórico de condução. Quando há dúvida, o carro tem razão. Neste episódio ficou provado.
No vídeo mostro os dados do TeslaMate ao longo de toda a etapa, a curva de carregamento ao pormenor e o que aconteceu quando o Tesla decidiu pré-condicionar a bateria com menos de 5% de carga disponível. Vê acima.
Criador do canal @AndreSantos-PT, focado em mobilidade elétrica em Portugal.