Volkswagen planeia cortar 100.000 empregos e fechar quatro fábricas na Alemanha
A Volkswagen estará a preparar a maior reestruturação dos seus 89 anos de história. De acordo com o Manager Magazin, a empresa planeia cortar 100.000 postos de trabalho (cerca de 15% da força de trabalho global) e encerrar a produção de veículos em quatro fábricas alemãs: Hanover, Zwickau, Emden, e a histórica fábrica da Audi em Neckarsulm. Os investimentos previstos para os próximos cinco anos baixariam 15%, para cerca de 130 mil milhões de euros.
A VW não confirmou oficialmente os documentos, mas um porta-voz admitiu que “todo o grupo terá de passar por uma mudança profunda”. Os sindicatos já avisaram que vão lutar.
O contexto: os números falam por si
No mercado alemão, no primeiro trimestre de 2026, a VW vendeu 131.012 veículos com uma quota de 18,7%, uma queda de 5,3% num período em que o mercado total cresceu 5,2%. No mesmo período, a Tesla aumentou as vendas na Alemanha em 160%, para 12.601 unidades. A BYD cresceu 644% para 9.120.
Na Europa, o Model Y foi o segundo veículo mais vendido em todos os segmentos de motorização no primeiro trimestre, com 51.468 unidades, acima do VW T-Roc a gasolina (48.700). O ID.4 e o ID.5, os modelos elétricos de bandeira da VW, somaram juntos cerca de 25.000 unidades no período.
A diferença estrutural é importante: a Tesla domina com dois modelos. A VW precisa de dezenas de modelos e marcas para justificar o mesmo volume de fábricas.
O que isto significa para Portugal
A VW, juntamente com as marcas do grupo (Skoda, Seat, Audi), representa uma fatia muito significativa do mercado automóvel português. Se a reestruturação avançar com encerramento de fábricas e corte de investimento em novos modelos elétricos, isso pode afetar prazos, preços e variedade de oferta no segmento elétrico europeu nos próximos anos.
Para os compradores que estão a escolher entre um EV da VW e um Tesla, a incerteza industrial que rodeia o grupo de Wolfsburg é um fator novo a considerar.
Fontes