Tesla Q2 2026: receita recorde de 28 mil milhões, mas margens caem
A Tesla publicou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2026: receita total de 28,24 mil milhões de dólares, um crescimento de 26% face ao Q2 de 2025, e um novo recorde trimestral. A margem bruta automóvel desceu, porém, de 19,2% para 16,3%, devido a garantias, subida de taxas de juro e o fim de benefícios relacionados com tarifas. O lucro por ação ficou abaixo do esperado pelo mercado.
A earnings call de quarta-feira foi dominada por três temas: o estado da autonomia, a produção do Cybercab e o progresso do Optimus.
FSD e Robotaxi
As subscrições ativas de FSD chegaram a 1,48 milhões, um crescimento de 56% face ao ano anterior. Em Portugal, a relevância deste número está na dinâmica que representa: na América do Norte, 55% das novas entregas incluíram uma subscrição de FSD no ato da compra. O FSD está a tornar-se um fator de decisão de compra, não um acessório pós-venda.
O programa Robotaxi acumula 2,5 milhões de milhas pagas e opera em sete áreas metropolitanas. A frota está a crescer a 10% por semana. Ashok Elluswamy confirmou ainda que os Robotaxis já correm versões iniciais do FSD V15, com o lançamento público previsto para o final de 2026 ou início de 2027.
Na Europa, cinco países já aprovaram o FSD: Países Baixos, Estónia, Lituânia, Dinamarca e Bélgica. Os km acumulados na Europa ultrapassou os 50 milhões de quilómetros.
Cybercab e produção
A produção do Cybercab iniciou-se oficialmente na Gigafactory Texas. Os primeiros testes em estrada pública aconteceram no Q2, e em julho começaram as viagens autónomas para funcionários no campus da fábrica. A Tesla está a calibrar o ritmo de produção do Cybercab para corresponder à taxa de expansão prevista da frota.
A Tesla atingiu 9,7 mil milhões de entregas cumulativas e espera cruzar os 10 mil milhões ainda no Q3. O backlog de encomendas é o maior da história da empresa.
Optimus e chips
A linha de produção inicial do Optimus será instalada em Fremont no Q3 de 2026, com uma fábrica dedicada em construção na Giga Texas. O Optimus V4 será produzido em Austin. Quanto aos chips, o AI5 deverá entrar em produção em volume em 2027. A Tesla está também a construir uma fábrica própria de semicondutores (TERAFAB), cuja localização será anunciada em breve em evento separado.
O que isto significa para Portugal
A queda das margens automóvel é o número mais relevante para quem acompanha a Tesla como empresa: crescer a receita enquanto as margens caem significa que o modelo de negócio atual ainda depende do hardware para sustentar a expansão dos outros segmentos. A grande aposta da Tesla é que os serviços de software e autonomia compensem essa pressão. Para os proprietários em Portugal, os sinais concretos desta call são dois: o FSD está a aproximar-se do V15 com os Robotaxis a funcionar já em builds iniciais, e a expansão europeia das aprovações continua, ainda que mais devagar do que o desejado.
Fontes