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Operador remoto da Tesla bateu com um Robotaxi num toco de árvore em Houston

Por André Santos 2 min de leitura

A Tesla registou junto da NHTSA quatro novos acidentes com o Robotaxi, e o mais revelador envolve um teleoperador humano que conduziu remotamente um Model Y contra um toco de árvore escondido, em Houston, a cerca de 3 km/h.

O incidente aconteceu em maio, numa rua residencial sem saída. O sistema de condução autónoma ficou preso e pediu assistência remota. O teleoperador assumiu o controlo para tirar o carro do beco, o veículo entrou numa berma de relva e o operador bateu num toco de árvore que não era visível. Não houve feridos, e os danos foram materiais mínimos. É o primeiro relatório da Tesla que identifica formalmente o tipo de operador como “Remoto (Comercial/Teste)” num campo estruturado da NHTSA.

Padrão repetido

Não é o primeiro acidente com teleoperação. Em julho de 2025, um operador remoto assumiu o controlo de um Robotaxi parado, acelerou, virou à esquerda e subiu um passeio contra uma vedação metálica a 13 km/h. Em janeiro de 2026, outro teleoperador assumiu a condução por razões de navegação e bateu numa barricada de construção a 14 km/h. Em todos os casos, o sistema autónomo ficou preso, um humano assumiu o controlo à distância e o resultado foi uma colisão.

A Tesla não divulga com que frequência os operadores remotos intervêm, pelo que não é possível calcular uma taxa de acidentes por intervenção. No momento do incidente de Houston, a Tesla tinha apenas três veículos ativos nessa cidade.

A diferença face à Waymo

Em fevereiro de 2026, a Waymo declarou ao Senado norte-americano que os seus operadores remotos não conduzem o veículo: fornecem orientação que o sistema pode aceitar ou rejeitar. A única exceção é uma ferramenta de recuperação para veículos encravados, limitada a 3 km/h e ângulos de direção fixos, que a Waymo afirma nunca ter usado em estrada pública fora de treino.

Ambas as empresas têm uma ferramenta para retirar um carro encravado de uma faixa. A da Waymo nunca foi usada em condições reais. A da Tesla foi usada pelo menos três vezes e resultou em colisão em todos os casos.

Os outros três relatórios desta série incluem um Model Y embatido por um SUV que recuava num parque de estacionamento em Austin, um Robotaxi que colidiu com uma corrente metálica numa entrada de parque em Dallas, e outro que foi embatido por um camião de construção também em Austin. Em dois dos quatro casos, a responsabilidade foi da outra parte.

O que isto significa para Portugal

O FSD sem supervisão ainda não está disponível em Portugal, e a Tesla não deu indicações de calendário para o mercado europeu. Mas estes relatórios documentam o estado real da tecnologia: um sistema que ainda precisa de resgate humano com regularidade, e onde esse resgate tem o seu próprio historial de acidentes. A aprovação regulatória europeia passará precisamente por este tipo de dados.