França recusa aprovar o FSD da Tesla: excesso de velocidade e atenção do condutor
A França decidiu não aprovar o FSD da Tesla na sua forma atual. O ministro francês dos Transportes, Philippe Tabarot, declarou publicamente que “as contrapartidas de segurança ainda não são suficientes para o autorizar tal como está”, e enumerou dois problemas concretos que levaram à recusa.
O primeiro é o excesso de velocidade: os reguladores franceses verificaram que o FSD pode conduzir até 70 km/h em zonas limitadas a 50 km/h, ao adaptar a velocidade ao fluxo de trânsito circundante. O mecanismo responsável é o Speed Offset, uma funcionalidade que permite ao sistema exceder o limite oficial quando as condições de trânsito o justificam. A Suécia tinha levantado a mesma objeção junto da UE.
O segundo problema é a atenção do condutor: a França considera que o FSD não garante nível suficiente de vigilância em manobras urbanas complexas, como rotundas ou mudanças de faixa, situações onde o sistema pede ativamente menos intervenção do condutor.
Elon Musk respondeu no X: “Atrasar a aprovação do FSD em França vai custar vidas.”
O estado das aprovações na Europa
Os Países Baixos foram o primeiro país europeu a aprovar o FSD, em abril, abrindo caminho a uma primeira vaga: Estónia, Lituânia e Dinamarca seguiram-se. A Bélgica tornou-se o quinto país em junho. Desde então, o ritmo abrandou, e a recusa da França torna claro que nem todos os países da UE estão dispostos a aceitar a versão atual do software.
A Comissão Europeia tem uma votação sobre aprovação do FSD a nível europeu agendada para outubro de 2026. A posição da França, o segundo maior mercado automóvel da Europa, terá peso nessa discussão.
O que pode mudar
A França não fechou a porta por completo. Tabarot indicou que estão em curso discussões técnicas com os reguladores holandeses, com outros países da UE e com a própria Tesla. A solução mais direta seria remover o Speed Offset da versão europeia do FSD e reforçar a monitorização do condutor em zonas urbanas, o que já seria uma adaptação regional ao que existe na América do Norte.
O que isto significa para Portugal
Portugal está na lista de países à espera de aprovação do FSD, sem data confirmada. A recusa francesa atrasa o processo europeu: qualquer aprovação alargada a nível da UE em outubro vai precisar de responder às objeções levantadas por França e Suécia. Para os proprietários em Portugal, isso significa que a chegada do FSD ao mercado nacional depende de a Tesla ajustar o software para satisfazer reguladores que têm requisitos mais exigentes do que os da América do Norte ou da Oceânia.
Fontes