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Pela primeira vez, os elétricos venderam mais do que gasolina e diesel na Alemanha

Por André Santos 2 min de leitura

Em junho de 2026, os veículos elétricos a bateria superaram pela primeira vez todos os outros tipos de propulsão no mercado alemão. É a primeira vez que isso acontece na maior economia automóvel da Europa, historicamente dominada pelo motor a diesel.

Segundo a autoridade alemã de transportes (KBA), foram registados 84.057 carros elétricos em junho, um aumento de 78,2% face ao mesmo mês do ano anterior. Os elétricos terminaram o mês com 28,4% de quota de mercado, contra 28,1% dos híbridos convencionais, 20,5% da gasolina, 11,4% do diesel e 10,9% dos híbridos plug-in. No total, a Alemanha registou 296.378 novos carros em junho, mais 15,7% do que em junho de 2025.

Tesla Model Y no topo dos elétricos

O carro elétrico mais vendido foi o Tesla Model Y, com 6.023 registos, o que lhe valeu o terceiro lugar na classificação geral de todas as marcas e motorizações. O Volkswagen ID.3 ficou em segundo lugar nos elétricos com 3.514 unidades, seguido do Skoda Enyaq com 3.383.

Por marcas, a Volkswagen liderou com 51.058 registos totais, a BMW ficou em segundo com 26.119 e a Skoda em terceiro com 24.963.

Quota de frota ainda baixa

Os números de junho são expressivos, mas contrastam com o estado da frota em circulação. Das 61 milhões de viaturas registadas na Alemanha no início de 2026, apenas 4,1% eram elétricas. A gasolina representava 59,3% do total. A transição no mercado de novos veículos está a acontecer mais depressa do que a renovação da frota total, o que é natural: os carros duram décadas, e a maioria dos que circulam foram comprados antes do mercado elétrico ter escala.

O que isto significa para Portugal

A Alemanha define tendências para o resto da Europa. Quando os elétricos chegam ao topo das vendas mensais no maior mercado do continente, a pressão sobre retalhistas e fabricantes em toda a Europa aumenta: mais modelos, mais competição de preços, mais infraestrutura. Portugal beneficia desse efeito de escala indiretamente. A quota de 4,1% de elétricos na frota alemã também dá perspetiva: a transição ainda está nas primeiras fases, mesmo onde a procura de novos elétricos já ultrapassou os carros a combustão. Em Portugal, o caminho é o mesmo, mas a um ritmo diferente.