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Cabeças de plástico enganam a câmara de cabine do Tesla

Por André Santos 2 min de leitura

Na China, há um negócio a crescer em volta de uma ideia absurda: cabecinhas de boneca em plástico, vendidas entre 20 e 50 dólares, colocadas perto do espelho retrovisor para enganar a câmara de cabine do Tesla. A câmara monitoriza a posição da cabeça e o movimento dos olhos durante o Autopilot e o FSD Supervisionado. Uma cabeça de plástico com traços frontais satisfaz os critérios do sistema.

O Electrek relata o caso de um proprietário de um Model 3 na China que usou uma figura a imitar Dwayne Johnson e conduziu 30 minutos em autoestrada sem um único alerta de segurança: uma mão a comer sementes de girassol, a outra a filmar. Um carro de 1.800 kg a circular em velocidade, sem atenção nenhuma ao volante.

Não é a primeira vez

O padrão é antigo. A primeira geração de dispositivos eram pesos de volante para enganar o sensor de binário e fazer o carro acreditar que havia mãos no volante. A NHTSA cancelou um produto chamado “Autopilot Buddy” com uma carta de cessação, mas os clones persistiram. A Tesla respondeu adicionando a câmara de cabine, supostamente a resposta mais inteligente. Agora um brinquedo de plástico de 30 dólares derrota essa “resposta mais inteligente”.

O timing é mau: a Tesla acabou de lançar o FSD Supervisionado na China, e já enfrenta um processo de 10 proprietários por promessas de “Full Self-Driving”. Em paralelo, a empresa teve de atuar sobre mais de 100.000 veículos com dispositivos piratas que ativavam o FSD em países onde o software não estava aprovado, numa altura em que a aprovação do FSD avança na Europa a partir da homologação holandesa.

O que isto mostra

O Autopilot e o FSD Supervisionado são sistemas de nível 2: precisam de um condutor atento pronto a intervir a qualquer momento. O problema não é técnico: é que uma parte dos utilizadores trata os sistemas de segurança como obstáculos a contornar, não como proteções a respeitar. Quando o próximo acidente acontecer, a pergunta vai ser a mesma de sempre: a Tesla tinha os dados. O que fez com eles?

O que isto significa para Portugal

Com Portugal na lista de países pendentes de aprovação do FSD, incidentes como este são um argumento difícil para a Tesla junto dos reguladores. A empresa está a pedir aprovação com base em dados de segurança que dependem de os condutores usarem o sistema corretamente. Quando fica demonstrado que uma cabeça de plástico de 30 dólares elimina essa salvaguarda, a premissa fragiliza-se. O que a Europa, incluindo Portugal, vai avaliar não é só se o sistema funciona quando é usado como deve, mas se consegue resistir à utilização real.