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Analista de Wall Street diz que o FSD da Tesla já atinge autonomia de nível 4

Por André Santos 2 min de leitura

O Full Self-Driving (Supervisionado) da Tesla continua classificado como sistema de nível 2 nos carros de passageiros. Mas um analista de Wall Street defende que, na prática, a Tesla já atingiu autonomia de nível 4 na maioria das condições. A afirmação é de Alex Potter, da Piper Sandler, numa nota enviada a investidores.

“A Tesla resolveu o puzzle da condução autónoma”, escreveu Potter, que conduziu de Missoula, no Montana, até Minneapolis em FSD durante o mês de abril. “Não há substituto para a experiência pessoal.”

Os argumentos do analista

Potter não se apoia só na experiência ao volante. O primeiro sinal são os descontos no seguro: a Tesla oferece prémios mais baixos a apólices com FSD ativo, e uma seguradora só faz isto quando os dados de sinistralidade o justificam. Os relatórios de segurança da Tesla mostram menos acidentes com FSD do que com condução humana. Nos números mais recentes da América do Norte, são mais de 8,8 milhões de quilómetros entre acidentes com FSD ativo. Na Holanda, as primeiras estatísticas apontam para um sistema 3,5 vezes mais seguro do que o condutor humano em estradas holandesas.

O segundo sinal é o Cybercab, que entrou em produção na Gigafactory do Texas sem volante nem pedais. Não existe plano B com intervenção humana.

O terceiro é o dinheiro. Potter estima que a Tesla alocou várias centenas de milhões de dólares ao projeto, possivelmente mais de mil milhões. Ninguém compromete capital dessa ordem num produto que vê como distante.

O que ainda falta

A própria Tesla reconhece que há trabalho pela frente: o estacionamento sem supervisão (a funcionalidade conhecida como “Banish”), melhor desempenho em regiões específicas e outras afinações. No Texas, a plataforma Robotaxi já opera reconhecida como serviço de nível 4, por autocertificação da empresa. Nos carros vendidos ao público, a classificação oficial continua a ser nível 2, com o condutor responsável a cada momento.

O que isto significa para Portugal

A discussão sobre o nível real do FSD chega numa semana em que a aprovação europeia acelerou, com a Bélgica a juntar-se à lista de países com luz verde. Portugal continua entre os países pendentes. Se os dados de segurança europeus continuarem a sair favoráveis, como aconteceu na Holanda, a pressão sobre os reguladores aumenta. A classificação legal (nível 2) e a capacidade real do sistema são coisas diferentes, e é essa distância que vai alimentar o debate regulatório dos próximos meses.